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Tudo contribui para o bem?


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TEMPO DE REFLETIR 615 – 7 de setembro de 2015

“Sabemos que para aqueles que amam a Deus e são chamados de acordo com o Seu propósito, tudo o que acontece se encaixa num plano voltado para o bem” (Romanos 8:28, Phillips).

Durante o ano em que exerci a função de diretor de assuntos estudantis do Unasp, campus São Paulo, recebi em minha sala um dos alunos. Sentou-se pesadamente na cadeira e suas primeiras palavras foram: “Faça o favor de não mencionar para mim Romanos 8:28.” Eu entendia o porquê. No sábado anterior, seu carro havia capotado e a esposa tinha falecido no acidente.

Romanos 8:28 é um texto que tem sido usado como travesseiro enquanto procuramos entender alguma coisa errada que aconteceu conosco. É um dos versos que ainda luto para entender completamente. Fácil de ser dito e difícil de ser entendido.

Será que nós o estamos usando corretamente? Posso eu me aproximar de uma moça que perdeu o noivo num acidente faltando apenas um mês para o casamento, ou de um pai que perdeu o filho num afogamento, e dizer-lhes em tom de consolação: “Tudo contribui para o bem”? Em que isso vai contribuir para o bem dessas pessoas?

E seguem outros exemplos: se o namoro não deu certo é porque há um rapaz ou moça melhor para você no futuro. Se você não passou no processo seletivo na universidade que desejava, é porque Deus tem uma universidade melhor para você. Será que é isso o que o texto diz?

Quando os incidentes são relatados e o verso é mencionado, acredita-se que, quando uma coisa ruim acontece, Deus tem no gatilho algo muito bom.

Interpretações à parte, creio que o “tudo” não é o ponto principal do texto. Tente colocar Deus como o tema principal, e note como se torna mais claro o significado: “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que O amam, dos que foram chamados de acordo com o Seu propósito.”

Parece que dá mais sentido ao texto, não é verdade? A promessa é que Deus tomará as coisas ruins e trabalhará por meio delas para o nosso bem.

“Perdemos muito porque não desfrutamos as bênçãos que podem ser nossas em nossas próprias aflições. Todos os nossos sofrimentos e tristezas, todas as nossas tentações e provações, […] todas as experiências e circunstâncias são obreiras de Deus para que o bem nos seja trazido” (Ellen G. White, Minha Consagração Hoje [MD 1989], p. 185).


-> Música: Jonatas Ribeiro, “Silêncio de Deus”
-> Locução e edição: Amilton Menezes

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