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23-06 TDR 905

TEMPO DE REFLETIR 905 – 23 de junho de 2016

“Então, Lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e Te seguimos; que será, pois, de nós?” (Mateus 19:27).

A pergunta de Pedro é antecedida pela narrativa do moço rico, a quem Jesus desafiara: “Vai,  vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro no Céu” (Mt 19:21). Impressionados com a ideia de um “tesouro”, os discípulos pensaram na recompensa deles. E,  por meio de Pedro, perguntam: “E ‘nós’ que abandonados tudo, o que havemos de receber?” Quão humana é a questão! Por trás dela está a noção judaica da recompensa baseada no mérito.

Em oposição a essa mentalidade, Jesus conta a parábola dos trabalhadores na vinha (Mt 20:1-16). Na história, os primeiros concordaram em trabalhar por um denário, salário diário comum na Palestina. Nenhum outro acerto de pagamento foi feito com os trabalhadores da terceira, sexta, nona e undécima hora, exceto que eles ganhariam o que “fosse justo” (v. 4). No fim do dia, o acerto começa com os que trabalharam menos. A eles é dado um denário. “Se a proporção for mantida”, pensaram os primeiros, “o emprego foi muito lucrativo”. Porém, esqueceram-se do que fora combinado e “murmuraram” contra o empregador.

De todas as parábolas de Cristo, essa parece ser a mais desconcertante. Sindicado algum concordaria com sua ética. A história de Jesus, contudo, é a respeito de Deus e como Ele age com base em Sua graça.  Os primeiros trabalhadores revelam “espírito de empregado”: mereciam o quanto fizeram. Esqueceram-se que estavam desempregados e provavelmente assim permaneceriam o dia todo. Do segundo grupo em diante não havia qualquer acerto; estavam à mercê daquele que os empregara. E acabaram ganhando o mesmo que os outros. Esse é precisamente o ponto central da parábola. Jesus estabelece uma verdade espiritual. Deus opera com base na graça, não em teremos de nossa compreensão da justiça.  Jesus contrastou os trabalhadores com espírito mercantilista, que trabalham pelo salário, com aqueles que confiam na graça.

O último grupo de trabalhadores poderia raciocinar: “Que extraordinário! Recebemos o salário de um dia pelo trabalho de uma hora! Para que trabalhar mais?” Nesse caso, não seriam em nada diferentes do espírito dos outros. Mas, tocados pela bondade imerecida, eles deviam ter pensado: “Que pena! Não tivemos tempo para trabalhar mais para um Senhor assim!”

A graça nos motiva a fazer o máximo, nunca o mínimo.


-> Música: Conexão Vida, “Entrega”

-> Locução: Amilton Menezes

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